12 outubro 2011

Os segundos


A verdade é bem mais forte...
...vou deixar que o destino mostre a direção!

O sal dos olhos...


Da boca pra fora (Luiz Marenco)


Quando a palavra precisa
Da boca pra ganhar asas
Tem sempre um beijo guardado
Pra esconder o que ela traz
Tem sempre um lindo sorriso
Que sabe estancar a dor...
...porque a saudade faz parte
Da alma de um sonhador.

Cuidamos uma palavra
Pras horas que se precisa
Quando a voz tem sua vontade
E por si se realiza...
E pode, por mal falada,
Ter suas garras afiadas
Deixando a vida marcada
Se o corte não cicatriza.

Tem vezes que a gente chora
Por coisas que nos habitam
Que ficam dentro da alma
Olhando a vida de longe.
Tem vezes que o sal dos olhos
Deixa a tristeza correr...
Mas as lágrimas são minhas
E de quem as merecer.

Quando a palavra incomoda
(talvez por ficar tão presa)
E se acostuma ao silêncio
Que volta e meia impera...
Os olhos voltam pra si,
O sorriso desencanta...
...pela voz que a alma trouxe
E morreu junto à garganta.

Talvez por serem de tantos
E tantas vezes faladas
As palavras trazem a sina
De às vezes não dizer nada.
Mas quando menos se espera
Falam a sua vontade
Deixando dentro da boca
Um gosto ruim de saudade.

Tem vezes que a gente chora!
Mas da boca pra fora...
...não fala nada!

22 julho 2011

Hope!


Iazul (Malba Tahan)


Caso singularíssimo ocorrido com um certo Shack Bock, rei da Pérsia. Esse monarca descobre estranha palavra gravada em joia raríssima. Que disse um "ulemá" para esclarecer o Rei? A palavra mais singular do dicionário, palavra que jamais será esquecida:
- IAZUL!
Esquece, meu bom e dedicado amigo, esquece, por um momento, as tristezas e aflitivas preocupações; livra-te dessa angústia torturante instilada em tua alma pelas incertezas da vida; senta-te, aqui ao meu lado, e escuta, com religiosa atenção, a famosa lenda que os poetas árabes intitularam: Iazul!
Sim, é isso mesmo: Iazul!
Vou narrá-la.
Em nome de Allah, Clemente e Misericordioso! Viveu, outrora, na Pérsia, meio século depois de Timur Lenk, um Príncipe, generoso e bravo, que se chamava Shack Bock. Afirmam historiadores altamente abalizados que esse glorioso Emir tinha, em sua imponente corte, um sábio, mestre e conselheiro, cuja nobre função era orientar o monarca em suas decisões, esclarecê-lo em suas dúvidas e corrigi-lo em seus erros e injustiças.
Esse ulemá, judicioso e previdente, chamava-se Ismail Hassan, e era, pelos nobres muçulmanos, apelidado o Saryh (aquele que é sincero).
Um dia muito cedo, logo depois da prece da madrugada, prece do ritual que os árabes denominam sobh, o Príncipe mandou que viesse à sua presença o douto conselheiro da corte.
Fazia todo o empenho em ser urgentemente elucidado sobre um caso que se apresentava enrodilhado pelo mistério.
Sem perda de tempo, o ilustre Ismail, o Saryh, deixou os seus aposentos, e foi ter ao luxuoso divan (sala de audiências) do soberano persa.
O que teria acontecido? Que caso, assim, tão gravemente intrigava o Rei?
O monarca parecia pálido. Em sua fisionomia morena surgiam, tracejando linhas incertas, as sete rugas da intranquilidade.
Depois das saudações habituais, sem mais preâmbulo, disse o Emir ao judicioso Ismail:
- Acabo de receber, do Khorassan, este pequeno cofre, encontrado pelos meus agentes secretos, entre os despojos do infeliz e estouvado Khalil, senhor de Candahar. Dentro desse cofre vinha, apenas, esse singularíssimo anel de ouro. Desconfio que se trata de joia raríssima, que pertenceu ao grande Timur Lenk. Como poderei descobrir o enigma que envolve esse anel?
E o Príncipe, estendendo a mão, entregou ao douto Ismail o misterioso anel de Candahar.
Ismail, o sábio (Allah, porém, é mais sábio!) examinou detidamente a joia, virando-a e revirando-a na palma de sua mão. E depois de refletir, em silêncio, durante algum tempo, assim falou ao Príncipe, seu amo e mestre:
- Julgo-me capaz de esclarecer esse mistério. Afirmo que uma das peças mais valiosas do tesouro persa acaba de chegar às vossas mãos. Este anel é o precioso e tão ambicionado anel mágico, que pertenceu ao invencível Timur Lenk, o Perseverante (que Allah o tenha entre os eleitos!). Como podeis ver, este anel, no rico escudo em forma de tâmara, ostenta, em letras bem talhadas, a palavra tão bela e sonora: - Iazul.
- Sim, sim - confirmou o Príncipe, muito sério - já o havia notado. No escudo, entre dois brilhantes pequeninos, lê-se a palavra: Iazul. O mistério, a meu ver, permanece. O que significa, afinal, Iazul?
O sábio Saryh ergueu o rosto e, discorrendo em tom pausado e claro, explicou:
- Cumpre-me dizer-vos, ó Rei do Tempo!, que Iazul é uma palavra mágica, de alto e misterioso poder. Asseguro que é a palavra mais expressiva e eloquente entre todas as que figuram no riquíssimo vocabulário persa. É mágica, repito. Reparai bem: tem o dom de nos tornar alegres, quando estamos tristes, e de moderar as nossas alegrias, nos momentos de extrema felicidade e ventura.
- Singular, muito singular - refletiu o Rei. - É, realmente, de alta magia essa palavra que transforma as alegrias em preocupações, e que consegue aniquilar, ou pelo menos conter, as mágoas e tristezas que pesam em nosso coração!
E, fitando gravemente o sábio, acrescentou:
- Mas insisto em perguntar: O que significa essa palavra Iazul? Como podemos traduzi-la?
Respondeu o eloquente e sábio ulemá:
- Iazul, ó Rei!, dentro de sua espantosa simplicidade, significa apenas Isso passa! Ou ainda: Tudo passa! Quando o homem atravessa períodos de felicidade, de alegria cor-de-rosa, de sorte e tranquilidade, deve pensar no futuro e ser comedido em suas expansões, sóbrio em suas atividades. Convém que o afortunado não esqueça: Iazul! (Isso passa!), a roda do Destino é incerta; a vida é cheia de mudanças. Há ocasiões, porém, em que nos sentimos anavalhados pelos sofrimentos, pelas enfermidades, feridos pelas desgraças, caminhando sob a nuvem da má sorte, da ruína e atingidos pelos golpes do infortúnio. Para que o ânimo volte ao nosso espírito, proferimos, cheios de fé, fortalecidos de esperanças: Iazul! (Isso passa!). Sim, tudo passa! Virão dias melhores, dias calmos e felizes; a prosperidade e a boa sorte voltarão a iluminar a nossa jornada; a saúde será reconquistada; a serenidade procurará repouso em nosso atribulado coração!
E, depois de ligeira pausa, o sábio concluiu:
- E assim, ó Rei!, posso afirmar que Iazul, a palavra contida no pequeno escudo deste anel, é mágica! Alivia e abranda as tristezas dos infelizes; controla e arrefece as alegrias alucinadas dos exaltados!
Ao ouvir as eloquentes e judiciosas explicações do velho ulemá, o Rei tomou do anel, colocou-o no dedo indicador da mão esquerda e disse, serenamente:
- Que notável, interessante e proveitosa lição recebi hoje! Conservarei comigo este precioso anel. Jamais esquecerei em todos os momentos culminantes de minha vida, no meio de estonteantes triunfos, ou sob o guante da desgraça, de recorrer ao eterno ensinamento contido nesta palavra mágica: Iazul!
Quero, ó irmão dos árabes!, terminar esta lenda, exatamente como a iniciei:
Esquece, pois, meu amigo, esquece, por um momento, as tuas tristezas e aflitivas preocupações; livra-te desta angústia instilada em tua alma pelas incertezas da vida, senta-te, aqui ao meu lado, e escuta, com religiosa atenção, a palavra mágica Iazul!
E vale a pena repetir: Iazul! Iazul! Isso passa! Isso passa!

21 julho 2011

Running up that hill (Placebo)

It doesn't hurt me. / You wanna feel how it feels? / You wanna know, know that it doesn't hurt me? / You wanna hear about the deal I'm making? / You be running up that hill / You and me running up that hill / And if I only could / Make a deal with God / And get him to swap our places, / Be running up that road, / Be running up that hill, / Be running up that building. If I only could, oh... / You don't want to hurt me, / But see how deep the bullet lies. / Unaware that I'm tearing you asunder. / There is thunder in your hearts, baby. / So much hate for the ones we love? / Tell me, we both matter, don't we? / You be running up that hill / You and me be running up that hill / You and me won't be unhappy. / And if I only could, / Make a deal with God, / And get him to swap our places. / Be running up that road, / Be running up that hill, / Be running up that building, / If I only could, oh... / C'mon, baby, c'mon, c'mon, darling, / Let me steal this moment from you now. / C'mon, angel, c'mon, c'mon, darling, / Let's exchange the experience, oh... / And if I only could , / Make a deal with God, / And get him to swap our places, / Be running up that road, / Be running up that hill, / With no problems.

10 abril 2011

Enjoy the silence (Depeche Mode)


Words like violence / Break the silence / Come crashing in / Into my little world / Painful to me / Pierce right through me / Can't you understand / Oh my little girl // All I never wanted / All I never needed / Is here in my arms / Words are very / Unnecessary / They can only do harm // Vows are spoken / To be broken / Feelings are intense / Words are trivial / Pleasures remain / So does the pain / Words are meaningless // And forgettable / All I ever wanted / All I never needed / Is here in my arms / Words are very / Unnecessary / They can only do harm // Enjoy the silence...

26 fevereiro 2011

Início do ano letivo!

Segunda-feira inicia mais um ano letivo!

Quinta-feira (24/02) ocorreu a Jornada Pedagógica. Pela manhã, na SMECD, os professores foram divididos por área de atuação e fizeram o planejamento do 1º trimestre, com o objetivo de unificar os conteúdos. É realidade no município o alto número de transferências entre os alunos de nossas escolas, a unificação dos conteúdos vai ser ótima para diminuir as possíveis lacunas deixadas pela transferência em relação ao conteúdos trabalhados pelos professores. À tarde, no Clube do Comércio, assisti à palestra motivacional ministrada por Roberto Fehrenbach.

Feliz demais pelas meninas terem aprovado no concurso público e serem minhas colegas (sem depender de contrato). A Luaninha tirou o primeiro lugar no concurso (UAU!), eu tirei o segundo e a Ju tirou o terceiro (todas concursamos para o cargo de professor Língua Portuguesa).

A Luaninha escolheu a E.M.E.F. Cassiano José Moralles, na Coxilha das Figueiras. Foi minha primeira escola trabalhando com as séries finais de LP, fiquei lá 5 anos e tenho muito carinho pelos alunos daquela localidade.

Já a Ju escolheu a E.M.E.F. Bibiano Batista, no Pinheiro. É uma escola muito boa, não tive a oportunidade de trabalhar lá, mas os elogios são muitos.

Sexta-feira (25/02) fui à escola (Dom Marcos, E.M.E.F Marechal Rondon) para a reunião geral. Além de um café ex-ce-len-te de boas vindas, conheci os colegas novos que farão parte da nossa equipe.

De antemão sei que minhas turmas neste ano não serão muito numerosas, pela contagem inicial terei 21 alunos no 6º ano, 15 no 7º, 21 no 8º e 14 no 9º. Geralmente nas primeiras 3 semanas sempre há mais matrículas, mas mesmo que entrem mais alguns alunos ainda assim serão turmas pequenas, o que sempre facilita a qualidade do trabalho, pois pode-se dar um atendimento maior a cada aluno. Com turmas muito numerosas é bem complicado...

Agora é terminar os preparativos para segunda-feira, e começar esse ano letivo de 2011 com muita energia!!!

24 março 2010

Visita ao projeto - Cursista Carla Luana



A professora Carla Luana iniciou seu projeto de leitura na Escola São Luiz no dia 19 de março, na turma 61. O livro escolhido foi O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado, pelas inúmeras possibilidades de exploração que o livro permite e também por possuir uma linguagem acessível e interessante aos alunos.
A cursista primeiro explorou a capa do livro: título, uso das cores e desenhos e autor, instigando os alunos a imaginarem do que a história se trata, já que nenhum deles conhecia a obra.
Várias foram as opiniões, os discentes acreditavam se tratar de um gato que provavelmente havia feito uma andorinha de almoço. Aproveitando o interesse dos alunos, foi iniciada a leitura por uma aluna de um pequeno trecho. Infelizmente não se passou da "Apresentação - Um caso de amor" por ter soado o sinal para o término da aula, mas foi evidente o interesse da turma em querer continuar a leitura nas próximas aulas para acompanhar o desenrolar da história.

Vivenciando a prática - Cursista Carla Luana Moraes




No dia 19 de março a cursista Carla Luana realizou sua última oficina (TP2). Levou aos alunos da turma 61, na escola São Luiz, diversas imagens reproduzidas em folhas xerocadas para que observassem.
Realizando uma exploração oral, a professora orientou os alunos para que percebessem detalhes das obras (Pietà, de Michelangelo; Conjunto de Zé Caboclo, da coleção do Museu Casa do Pontal, no Rio de Janeiro; Mona Lisa, de Leonardo da Vinci; As meninas, de Diogo Velásquez e ainda uma fotografia de dois primatas). Os alunos estavam bastante motivados e iam relatando oralmente cada detalhe que numa primeira observação passara despercebido.

Após explorarem oralmente e visualmente todas as imagens, a professora pediu que dessem atenção maior à reprodução do quadro As meninas, de Diogo Velásquez. Como o xérox não tinha boa nitidez por ser em tons de preto e branco, os alunos não tinham muita certeza dos detalhes que tentavam relatar. Carla Luana apresentou então a eles uma reprodução colorida em forma de pôster do quadro "As meninas". Interessados, os alunos procuraram observar a maior parte dos detalhes antes não tão visíveis no xérox. A professora novamente explorou tudo que pudessem ter reparado no quadro, lançando perguntas instigadoras. A seguir situou o quadro lendo um breve resumo da obra e do pintor, situando-os no espaço-tempo.
Aproveitando o interesse e motivação dos alunos, a professora pediu que produzissem um texto descritivo a partir do quadro de Velásquez, tarefa que cumpriram com bastante desembaraço. Alguns alunos, inclusive, foram diversas vezes ao lugar que a professora havia apoiado o pôster para descrever detalhadamente a pintura.

Visita ao projeto - Cursista Juliana Pires



No dia 19 de março de 2010 iniciou o projeto sobre diversidade de gêneros textuais da cursista Juliana, na escola Dom João VI. O projeto está sendo desenvolvido com o 9º ano, que possui 06 alunos.
Primeiramente a professora entregou a cópia xerocada do conto "Medo", de Cora Coralina. Após, os alunos foram instruídos a acompanhar o texto em uma leitura silenciosa enquanto a professora proporcionava aos alunos o áudio do conto.
Os alunos gostaram muito de ouvir o conto, pra eles foi uma novidade, tanto que pediram que a professora reproduzisse o áudio mais algumas vezes.
Em seguida a professora explorou oralmente o texto, fazendo aos alunos diversos questionamentos e estimulando que falassem sobre o conto.
Como última tarefa, Juliana pediu que sentassem em duplas (na verdade duas duplas e um aluno trabalhando individualmente, já que um aluno estava ausente) e produzissem um texto semelhante ao trabalhado, evidenciando algum sentimento.
Quando saí da turma, notei os alunos dialogando bastante, planejando como produziriam o conto e que sentimento evidenciariam. Foi um início de projeto muito positivo, pois a turma possui número reduzido de alunos, mas empolgação e motivação de sobra para aprender e crescer muito com o projeto.

12 março 2010

Jornada Pedagógica 2010




No dia 29 de fevereiro, às 14 horas, no Clube do Comércio, o Gestar II Língua Portuguesa cumpriu uma importante missão: divulgar seus resultados e conquistar futuros cursistas.
Foi durante a Jornada Pedagógica de 2010 da nossa cidade que tivemos o prazer de relatar nossas experiências e apresentar os primeiros frutos do Gestar.
Professores municipais e estaduais estavam reunidos no evento, e as profissionais do Estado lamentaram não poder fazer parte da Equipe Gestar, algumas chegaram a pedir para assistirem ao curso mesmo sem poder receber o certificado de participação, apenas para crescerem como profissionais e trabalharem de forma moderna e diâmica com seus alunos.
Os cursistas do Gestar II Matemática (juntamente com seu professor formador) também fizeram seus relatos e apresentaram os resultados obtidos nestes meses em que desenvolvemos o projeto.


Jornada Pedagógica 2010




Cursistas do Gestar II Língua Portuguesa e do Gestar II Matemática apresentando os resultados das práticas desenvolvidas com os alunos.

Jornada Pedagógica 2010




Cursista Juliana apresentando seu relato sobre as atividades desenvolvidas no Gestar com seus alunos.

Jornada Pedagógica 2010




Cursista Carla Luana explanando sobre as práticas vivenciadas com seus alunos no Gestar.



25 fevereiro 2010

Encontro sobre Projetos


No dia 22 de fevereiro, às 15 horas, nos reunimos na Secretaria Municipal de Educação para um encontro sobre os projetos que serão desenvolvidos este ano.


23 dezembro 2009

Mensagem da Oficina 4


Além da ler a mensagem, as cursistas a ouviram também.


A Lista
Faça uma lista de grandes amigos,

quem você mais via há dez anos atrás...

Quantos você ainda vê todo dia ?

Quantos você já não encontra mais?

Faça uma lista dos sonhos que tinha...

Quantos você desistiu de sonhar?

Quantos amores jurados pra sempre...

Quantos você conseguiu preservar?

Onde você ainda se reconhece,

na foto passada ou no espelho de agora?

Hoje é do jeito que achou que seria?

Quantos amigos você jogou fora...

Quantos mistérios que você sondava,

quantos você conseguiu entender?

Quantos defeitos sanados com o tempo,

era o melhor que havia em você?

Quantas mentiras você condenava,

quantas você teve que cometer?

Quantas canções que você não cantava,

hoje assobia pra sobreviver ...

Quantos segredos que você guardava,

hoje são bobos ninguém quer saber ...

Quantas pessoas que você amava,

hoje acredita que amam você?

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá



Conheci esse livro em 2000, quando uma colega de faculdade usou-o em sua monografia. Tendo lido poucas obras de Jorge Amado não me interessei pela leitura de pronto. Mas quê! Apenas comecei a lê-lo e não pude parar antes de chegar à última página! Mais do que o amor impossível entre um gato e uma andorinha, 'O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá' trata acima de tudo sobre diferenças, sobre 'pré-conceitos'... Além de uma leitura leve, fácil, prazerosa, esse livro é um desconhecido da maioria dos professores e alunos, mas uma excelente maneira de apresentar aos educandos o prazer de ler apenas por ler, e depois refletir... Sim, pois apesar de ser classificado como literatura infanto juvenil, Jorge Amado mexe com os brios das pessoas de todas as idades...


"O mundo só vai prestar

Para nele se viver

No dia em que a gente vir

Um gato maltês casar

Com uma alegre andorinha

Saindo os dois a voar

O noivo e sua noivinha

Dom Gato e dona Andorinha". (Jorge Amado)

Oficina 4 - TP2




Na SMEC, dia 14 de dezembro, ocorreu a Oficina 4 do Gestar Língua Portuguesa.

Como a arte é cultural, foi um início de oficina muito divertido, pois todos temos opiniões diferentes do que é belo ou do que é arte, assim como suas diversas formas. Debatemos sobre histórias em quadrinhos, músicas, quadros, esculturas e filmes. Como sugestão de filme a ser trabalhado e considerado pelas cursistas belo, foi citado "Escritores da Liberdade". Diversas músicas, fotografias e danças foram pensados para serem levados à sala de aula para apurar o sentido de arte dos alunos.

Ao conversarmos sobre as figuras de linguagem, após o estudo dos TPS, ficou claro que um dos erros cometidos ao ensinarmos esse conteúdo é a preocupação excessiva com a nomenclatura e com a quantidade de figuras a serem trabalhadas, já que a gramática geralmente serve de apoio às pesquisas dos professores ao preparar suas aulas, e lá há dezenas de figuras de linguagem. Ao permitir que o aluno entenda o processo utilizado por determinado autor para se expressar e saiba reconhecê-lo e produzi-lo, não é necessária a rigidez em quantificar ou nomear todas as figuras de linguagem, e isso serviu para modificar o pensamento de como trabalhar não só esse, mas vários outros conteúdos. Impossível dissociá-los de textos diversificados, músicas... Mais uma vez o papel do texto é indiscutível como começo para quaisquer atividades, sejam elas de leitura, escrita ou gramática.

A cursista Luana realizou a atividade da página 95. Aproveitando uma atividade anterior do Gestar, ela e os alunos continuaram lendo 'Harry Potter - A Pedra Filosofal'. Como o ano letivo está terminando e a leitura do livro não poderá ser concluída, os alunos pediram que fosse levado o filme de mesmo nome, pois a turma toda mostrou curiosidade de terminar a leitura do livro.

Na proposta da oficina (interpretação da charge de Quino) as cursistas tiveram facilidade em responder aos questionamentos depois de um breve comentário de Marx que fiz e de suas obras mais relevantes. Transcrevo o bilhete que o empregado envia ao patrão, escrito pelas cursistas:

"Caro Sr. Astor

Com certeza, lendo e praticando Marx, teremos melhor relacionamento.

Grato, Bóris".

Nossa última oficina chegou ao fim, mas no próximo encontro as cursistas farão um relato do Gestar e do aproveitamento do curso.

Mensagem da Oficina 3

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame,

E que amando, também seja amado.

E que se não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,

Que mesmo maus e inconseqüentes,

Sejam corajosos e fiéis,

E que pelo menos num deles

Você possa confiar sem duvidar.

E porque a vida é assim,

Desejo ainda que você tenha inimigos.

Nem muitos, nem poucos,

Mas na medida exata para que, algumas vezes,

Você se interpele a respeito

De suas próprias certezas.

E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,

Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,

Mas não insubstituível.

E que nos maus momentos,

Quando não restar mais nada,

Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,

Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,

Mas com os que erram muito e irremediavelmente,

E que fazendo bom uso dessa tolerância,

Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,

Não amadureça depressa demais,

E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer

E que sendo velho, não se dedique ao desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e

É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,

Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra

Que o riso diário é bom,

O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,

Com o máximo de urgência,

Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,

Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,

Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro

Erguer triunfante o seu canto matinal

Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,

Por mais minúscula que seja,

E acompanhe o seu crescimento,

Para que você saiba de quantas

Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,

Porque é preciso ser prático.

E que pelo menos uma vez por ano

Coloque um pouco dele

Na sua frente e diga `Isso é meu`,

Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,

Por ele e por você,

Mas que se morrer, você possa chorar

Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,

Tenha uma boa mulher,

E que sendo mulher,

Tenha um bom homem

E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,

E quando estiverem exaustos e sorridentes,

Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer,

Não tenho mais nada a te desejar.